Vidas precárias em águas turvas: antropologia colaborativa nas ruínas do Antropoceno

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2021.e75156

Palavras-chave:

paisagem em ruína, antropoceno, antropologia da água

Resumo

O artigo apresenta cinco relatos de experiências de pesquisas colaborativas em contextos de águas turvas e ruínas do Antropoceno. Os contextos são de barragens rompidas e outras em construção, manguezais sofrendo pelas políticas assimétricas de gestão e outros que sofrem pelos empreendimentos de petróleo. Jardins e terra também são contextos que surgem em meio a esses relatos como alternativas e resistências. Em meio às águas de rios, de mares e de manguezais emergem diferentes propostas de experiências de colaboração entre pesquisadores e comunidades, sejam estas de humanos ou não-humanos. Em comum os relatos trazem a importância da reflexividade ao pesquisador, da interdisciplinaridade, da necessidade de métodos inovadores e das práticas de troca dos pesquisadores com as comunidades estudadas e com os públicos que recebem as pesquisas.

Biografia do Autor

Thiago Mota Cardoso, Universidade Federal do Amazonas

Doutor em Antropologia Social (UFSC). Professor do Departamento de Antropologia da UFAM e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFAM). Coordenador do CoLar - Laboratório de Antropologia da Vida, Ecologia e Política

Cristiana Losekann, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Doutora em Ciência Política (UFRGS). Professora do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Rafael Buti, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira

Doutor em Antropologia Social pela UFSC. Professor do Instituto de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

Pedro Castelo Branco Silveira, Fundação Joaquim Nabuco

Doutor em Ciências Sociais (Unicamp). Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ).

Natalia Seeger, Pesquisadora independente

Graduanda em Ciências Sociais (UFSC). Artista têxtil, professora e pesquisadora independente.

Diego Kern Lopes, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutor em Artes – Processos Artísticos Contemporâneos (UERJ). Artista e pesquisador associado ao Organon – Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Mobilizações Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

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Publicado

2021-02-24

Edição

Seção

Diversidade Contaminada - Dossiê ReACT