A santa e a sereia no espaço/tempo das águas moçambicanas

Neiva Kampff Garcia

Resumo


Mia Couto, em seu romance O outro pé da sereia, formaliza um encontro dos imaginários (europeu e africano) através de um transcurso temporal e de um processo de constituição de identidades que ultrapassa as diferenças e distâncias geográficas. O autor desloca seu olhar para a complexidade das relações humanas, tanto sob o prisma individual quanto coletivo e, num paralelismo narrativo, possibilita que as vozes manifestas na história contemporânea emerjam do passado histórico colonial e se ampliem nas vivências da modernidade. A partir da posição de um ser fronteiriço entre a cultura portuguesa e a moçambicana, o autor dá um livre trânsito aos seus personagens entre épocas, gêneros e papéis sociais, apreendendo-os em suas múltiplas deslocações tão coerentes com a constituição dos sujeitos sociais da modernidade. O pensamento e a voz da cultura portuguesa colonialista do século XVI e a construção identitária da sociedade moçambicana do século XXI são revisitadas literariamente pela ótica de oposição e/ou integração, bem como por movimentos de fragmentação e/ou recomposição. A cartografia ficcional da obra permite uma inserção nas discussões da pós-modernidade e da pós-colonialidade, perspectivas sob as quais refletimos ao analisar determinados nichos narrativos do referido romance.


Palavras-chave


Mia Couto; "O outro pé da sereia"; Literatura moçambicana.

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2013v18n2p84

Direitos autorais 2013 Neiva Kampff Garcia

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