O eu e o outro da escrita memorialística: um estudo do trágico em "São Bernardo", de Graciliano Ramos

Andréa Trench de Castro

Resumo


Este artigo tem o objetivo de desvelar e analisar a dimensão trágica que subjaz à leitura do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, através do estudo das relações entre memória, escrita, sujeito e verdade, contidas fundamentalmente nas obras A Hermenêutica do Sujeito, de Michel Foucault, Fenomenologia do Espírito, de Hegel, e A memória, a história, o esquecimento, de Paul Ricouer. Para tanto, empreenderemos uma análise formal do romance com vistas a revelar a transformação da personagem advinda da experiência do autoquestionamento provocado pelo ato e pelo trabalho da escrita. Assim mesmo, buscaremos comprovar que o acesso à verdade ou a transfiguração do sujeito pelo ato da escrita possibilitam, no entanto, a emergência de uma visão de mundo trágica, na qual não se espera uma possível redenção, mas sim a possibilidade de uma compreensão mais profunda e aguda da consciência humana, por meio da tentativa de uma retomada mais consciente do passado.


Palavras-chave


Escrita; Graciliano Ramos; Memória; Sujeito; Trágico

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2012v17n2p88

Direitos autorais 2012 Andréa Trench de Castro

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