Escapar do “negro manto da noite”: Amos Tutuola e Mário de Andrade
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2026.e111982Palabras clave:
necropolítica, hantologia, não-razãoResumen
Este artigo analisa como Macunaíma, de Mário de Andrade, e os dois primeiros romances de Amos Tutuola podem ser lidos como um confrontamento à construção hegeliana do sujeito universal e sua exclusão dos povos colonizados. Partindo da crítica de Achille Mbembe à necropolítica, buscamos mostrar que africanos e ameríndios foram historicamente relegados à condição de “não-vivos”, espectros fora da História. Andrade e Tutuola respondem a esse apagamento através de narrativas que desestabilizam a lógica racionalista ocidental, privilegiando desrazão, metamorfose e espectralidade. Em ambas as obras, a jornada heroica é subvertida: não há reconciliação nem triunfo, mas estados liminares entre vida e morte que expõem a violência colonial. O fantástico, longe de alegoria escapista, funciona como regime ontológico alternativo. A leitura aproxima essas narrativas da hantologia derridiana, argumentando que elas reivindicam a presença ética dos espectros – vítimas do colonialismo e da escravidão – como condição para qualquer noção de justiça. Assim, Andrade e Tutuola elaboram poéticas que escapam ao “negro manto da noite” hegeliano, propondo modos de existência que recusam a universalidade excludente da modernidade.
Citas
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