Maria-Nova, a narradora xamã em Becos da Memória
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2026.e110657Palavras-chave:
Literatura brasileira contempoânea, xamanismo, equívoco de memóriaResumo
Este estudo busca analisar traços xamânicos na personagem Maria-Nova, narradora da obra Becos da Memória (2017), de Conceição Evaristo. Tal leitura da obra é feita por meio do conceito de equívoco de memória, que procura ler a escrita literária de textos autobiográficos como um espaço construído antes pela diferença que pela semelhança. Nesse sentido, a memória, forjada nesse espaço de equivocidade controlada, agiria por meio de uma tradução que joga com a impossibilidade da confluência entre o que ocorreu e o seu retorno no texto literário. As conclusões do estudo mostram que, na narrativa de Becos da memória, Maria-Nova atua como uma narradora xamã cuja voz representa uma alteridade marcada como elemento fruto da tradução de um passado do qual a identidade escapa, ao mesmo tempo em que se instaura uma subjetividade que se dá pela presença do outro. Na obra, ressalta-se ainda a ancestralidade presente na escrita de um eu que, assim como o xamã, é um ser para todos. Ainda, soma-se a essa possibilidade de leitura o conceito de escrevivência, o qual carrega como traço fundamental a compreensão de uma ancestralidade que se presentifica no eu que escreve, confirmando a possibilidade de ser a escrita autobiográfica um espaço para pensar as relações entre subjetividade e alteridade.
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