Onde a Linha?

Eduardo Sterzi

Resumo


João Cabral, em «Murilo Mendes e os rios», relembra uma curiosa atitude do poeta mineiro: em nome do Paraibuna, que banha sua natal Juiz de Fora, saudava reverente, chapéu à mão, cada rio que encontrava pelo caminho em suas andanças espanholas. Na penúltima das quatro quadras do poema, Cabral diz nunca ter perguntado a Murilo «onde a linha / entre o de sério e de ironia» deste «ritual», contentando-se com rir «amarelo / como se pode rir na missa». Na explicação que, anos depois, já morto Murilo, Cabral aventa para aquele «rito» (o léxico do sagrado atravessa o poema), parece optar pela seriedade do gesto: «nos rios, cortejava o Rio, / o que, sem lembrar, temos dentro».


 

Palavras-chave


João Cabral de Melo Neto; Carlos Drummond de Andrade; Carlito Azevedo; Melancolia; Alegria

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-784X.2011nesp4p22

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Boletim de Pesquisa NELIC, ISSNe 1984-784X, Florianópolis, SC, Brasil.

 

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