Avaliação da infecção experimental por Echinostoma paraensei (Lie & Basch, 1967) (Trematoda: Echinostomatidae) em duas linhagens de Biomphalaria tenagophila (D’Orbigny, 1835) (Gastropoda: Planorbidae) resistentes e suscetíveis ao Schistosoma mansoni (Sambon, 1907) (Trematoda: Schistosomatidae)

Autores

  • Michele Maria Santos Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ
  • Juberlan Silva Garcia Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ
  • Raquel de Oliveira Simões Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ
  • Samaly dos Santos Souza Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, FIOCRUZ
  • Paulo Marcos Zech Coelho Centro de Pesquisas René Rachou, FIOCRUZ
  • Zilton de Araújo Andrade Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, FIOCRUZ
  • Arnaldo Maldonado Júnior Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7925.2017v30n2p7

Palavras-chave:

Histopatologia, Linhagens de moluscos, Relação parasito-hospedeiro

Resumo

Diferentes linhagens de Biomphalaria tenagophila mostram amplo espectro de compatibilidade para Schistosoma mansoni, que vai desde refratária a altamente suscetível. O objetivo deste estudo foi verificar o padrão de compatibilidade de duas linhagens geográficas de B. tenagophila, resistentes e suscetíveis ao S. mansoni, para a infecção com Echinostoma paraensei. Foram utilizadas diferentes cargas miracidianas onde se avaliou a mortalidade, características histopatológicas e emissão de cercárias. Observou-se correlação entre o número de miracídios e a taxa de infecção em B. tenagophila (TAIM). Não houve correlação entre a carga de miracídios utilizados e a emissão cercariana em ambas as linhagens de B. tenagophila. Biomphalaria tenagophila (SJC) mostrou pouca susceptibilidade à infecção por E. paraensei. Os resultados demonstraram diferentes graus de compatibilidade das duas linhagens de B. tenagophila ao E. paraensei, podendo contribuir para os estudos de relação parasito-hospedeiro.

Biografia do Autor

Michele Maria Santos, Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ

Possui graduação em Ciências Biológicas Licenciatura pela Universidade Veiga de Almeida (2005) e Mestrado em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz (2009). Atualmente é responsável pela Gestão da Qualidade do laboratório. Tem experiência na área de Parasitologia, com ênfase em Helmintologia Animal. Atua, principalmente, nos seguintes temas: helmintos parasitos de roedores do bioma do Pantanal; interação parasito-hospedeiro invertebrado utilizando o modelo Echinostoma paraensei / Schistosoma mansoni e Biomphalaria sp.


Juberlan Silva Garcia, Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ

Doutorado em Medicina Tropical pela Fundação Oswaldo Cruz, Brasil(2014). Tecnologista em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz , Brasil.

 

Raquel de Oliveira Simões, Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ

Doutorado em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil(2014).

Samaly dos Santos Souza, Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, FIOCRUZ

Doutorado em Imunologia pela Universidade Federal da Bahia, Brasil(2010). Pesquisador Colaborador do CENTRO DE PESQUISAS GONÇALO MONIZ, Brasil.

Paulo Marcos Zech Coelho, Centro de Pesquisas René Rachou, FIOCRUZ

Doutorado em Curso de Pós-Graduação em Parasitologia - ICB/UFMG pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil(1977). Pesquisador Especial da Fundação Oswaldo Cruz, Brasil.

Zilton de Araújo Andrade, Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, FIOCRUZ

Possui Graduação em Medicina (1950) pela UFBA; Residência em Patologia (1953) pela Tulane University School of Medicine (New Orleans, LA, USA), sob orientação do Dr. Charles Dunlap; Doutorado em Patologia (1956) pela USP, sob orientação do Dr. Lucien Lison; Livre Docência (1959) pela UFBA; Post-Doctoral Research Fellow (1961) pelo Mount Sinai Hospital (New York City, USA), sob supervisão do Dr. Hans Popper. Foi Professor da Faculdade de Medicina da UFBA, no período de 1953-1984, onde alcançou os títulos de Professor Titular (1974) e de Professor Emérito (1985). Foi Professor Visitante (1971) da Cornell University Medical College (New York, NY), no Departament of Pathology, por três meses. Foi Pesquisador Titular da FIOCRUZ, no período de 1984-1994, quando aposentado. Atualmente, exerce o cargo de DAS no CPqGM (FIOCRUZ-BA), onde é Chefe do LAPEX e Professor Permanente do curso de Pós-graduação em Patologia Humana (UFBA-FIOCRUZ), orientando dissertações de Mestrado e teses de Doutorado, além de projetos de Iniciação Científica. Seus principais interesses em pesquisa dizem respeito a modelos experimentais de fibrose (esquistossomose murina e fibrose septal associada com infecção por Capillaria hepatica no rato) e cirrose (pelo tratamento com tetracloreto de carbono no rato) hepáticas e à patologia das doenças parasitárias, especialmente Esquistossomose e doença de Chagas.

Arnaldo Maldonado Júnior, Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ

Possui Licenciatura em Ciências Biológicas pela Sociedade de Ensino Superior de Nova Iguaçu (1982), mestrado (1996) e doutorado (2002) em Biologia Parasitária pelo Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz. É Pesquisador Titular em Saúde Pública do Instituto Oswaldo Cruz, Ministério da Saúde, exercendo cargo de Chefe do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios. Pertence ao corpo docente dos cursos de pós-graduação em Biologia Parasitária e de Biodiversidade e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz. Tem experiência na área de Helmintologia, com ênfase nos seguintes temas: Biodiversidade de helmintos de mamíferos dos Ecossistemas Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia com abordagens taxonômica, molecular e evolutiva; Manutenção e Desenvolvimento de modelos in vivo e in vitro para o estudo da relação parasito-hospedeiro e teste de fármacos utilizando o nematódeo Angiostrongylus cantonensis e o trematódeo Echinostoma paraensei.

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Publicado

2017-05-25

Edição

Seção

Artigos