O silenciamento da cultura nos (con)textos de cuidado em saúde mental

Mônica de Oliveira Nunes

Resumo


Esse artigo propõe uma reflexão em torno dos usos e, sobretudo, desusos, ou o que chamamos de “silenciamento” da cultura no campo da saúde mental. Esse silenciamento pode se expressar pelo não reconhecimento da presença da cultura nos contextos do cuidado em saúde mental, pela repulsa da mesma quando a sua presença implica em choques entre tradições culturais distintas, ou através da sua reificação ou caricatura. A partir de alguns exemplos, argumentamos que essas práticas manifestam, muitas vezes, a reprodução de formas culturais dominantes, inclusive aquelas que mantêm a loucura refém de modos hegemônicos de significação, manejo e controle. A busca na sociedade de modos mais includentes, transformadores e desinstitucionalizadores de lidar com o fenômeno da loucura e do sofrimento psíquico deveria dirigir o olhar para outras experiências, tanto aquelas oficialmente instituídas no âmbito de serviços e espaços inovadores quanto aquelas que se desenvolvem no âmbito das práticas populares, que diferem de epistemologias biomédicas e psicologizantes e que são fundadas em contextos socioculturais específicos. É através da cultura, tomada na sua pluralidade, que grupos e pessoas inventam modos criativos de inscrever a loucura em um outro lugar, estabelecendo uma linguagem que abra espaços de jogos à própria diversidade da loucura.

Palavras-chave


saúde mental; cultura; saberes populares

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Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2020.