Memórias da Vila Dique: Extensão popular, rodas de memória e remoções urbanas

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Fernanda S de Almeida
Christiane Kammsetzer
Maria Amélia Mano
Daniela Champe
Juliana Bittencourt Escobar

Resumo

Memórias da Vila Dique é um projeto de extensão que inicia no segundo semestre de 2010, através do encontro entre a comunidade da Vila Dique, estudantes e professores da UFRGS (dos cursos de história e ciências sociais) e os trabalhadores da Unidade de Saúde Santíssima Trindade. Encontros que se colocam em cena para registrar em palavras e imagens a experiência e trajetórias de vida da/na comunidade da Vila Dique e a remoção e reassentamento para o Porto Novo. O encontro com a comunidade se deu através de Rodas de Memória, oficinas de fotografia e entrevistas, como também, do desejo daqueles que convidam, como daqueles que aceitam este convite, em transformar a narrativa oral em registro, em memória compartilhada através da palavra e imagem. A partir daí se realizaram encontros marcados pela intensidade da palavra, dos afetos e dos significados possíveis numa comunidade em trânsito de lugares, de território. A vila Dique se localiza próximo ao Aeroporto de Porto Alegre, neste território a comunidade se formou há aproximadamente 40 anos atrás, sobre o trânsito constante dos aviões e daqueles que chegam e partem da cidade. Estas pessoas vindas do interior do Estado, com a promessa de vida melhor na cidade grande, viram naquele pedaço de terra a possibilidade de estabelecer seu território, sua casa, seus afetos e vínculos comunitários, seu modo de ver e estar na cidade, como também de ser visto por esta. Como Porto Alegre torna-se uma das cidades sedes para a Copa do Mundo que vai ocorrer no Brasil em 2014, desencadeia-se o processo da chamada “modernização” das cidades para a Copa do Mundo. Com este argumento, diversas comunidades tem sido removidas e reassentadas para outros territórios em diversas cidades do Brasil. A vila Dique, desde 2009, tem vivido este processo de trânsito entre seu até então território e o reassentamento para o novo território no Porto Novo.    Entre o velho e o novo, a mudança de uma casa que é derrubada para a casa recém erguida, está em jogo a mudança do sujeito e de sua história e memórias. O que fica do que foi e o que será do que vem? Seria só a mudança material da casa, do areão da estrada para a calçada asfaltada? Ou falamos também da mudança de pertencer a um lugar que está localizado no espaço, como também nos vínculos formados, no cheiro, no colorido e nos sons próprios deste território?! Assim, foram tecendo-se nestes encontros narrativas, significados e ressignificados destas experiências.  Como compromisso com estas experiências narradas o projeto Memórias da Dique publicou o livro “Memórias da Vila Dique” em 2011 e o livro “Da vila Dique ao Porto Novo- Extensão popular, rodas de memórias e remoções urbanas” em 2013. Este segue com outras possíveis produções no campo da escrita e imagem, através da elaboração de documentário produzido pelos jovens da Dique/Porto Novo.

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Como Citar
DE ALMEIDA, . S.; KAMMSETZER, .; MANO, . A.; CHAMPE, .; ESCOBAR, . B. Memórias da Vila Dique: Extensão popular, rodas de memória e remoções urbanas. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, [S. l.], v. 6, n. 13, p. 135–136, 2014. DOI: 10.5007/cbsm.v6i13.68926. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/68926. Acesso em: 7 out. 2022.
Seção
Resumos