GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃO EM CAPS-AD: FRONTEIRAS E BORRAGENS ENTRE DROGAS PRESCRITAS E PROSCRITAS

Autores

Palavras-chave:

Psicotrópicos, Drogas ilícitas, Saúde Mental, Medicalização, Atenção à saúde

Resumo

O presente artigo tem por objetivo apresentar duas experiências distintas de pesquisas-intervenção com a Gestão Autônoma de Medicação (GAM) que ocorreram nas cidades de São Paulo (SP) e Natal (RN), ambas em Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD). A GAM é uma metodologia e estratégia de cuidado participativa que visa promover reflexão crítica acerca do lugar dos psicofármacos na atenção à saúde, principalmente no campo da saúde mental, problematizando a lógica do cuidado centrada na medicalização. Nos CAPS-AD, essa problemática é evidenciada pelo excesso de prescrições de psicotrópicos concomitante ao uso que as pessoas fazem de substâncias psicoativas, ditas ilícitas, ou mesmo lícitas, como é o caso do álcool. Essas composições intensificam os riscos à saúde e evidenciam as fragilidades da rede no cuidado às pessoas que fazem uso de diferentes drogas. Frente a isso, organizamos as análises aqui empreendidas a partir de duas linhas: 1) Contexto e consumo de múltiplas substâncias: borragens entre o prescrito e o proscrito; e 2) Efeitos da GAM nas relações e fronteiras entre substâncias prescritas e proscritas. Identificamos como efeitos da estratégia GAM nos CAPS-AD: possibilidades de ampliação de cuidado nesse contexto, a partir da visibilidade dos atravessamentos e consequências do proibicionismo na vida das pessoas atendidas, bem como nas ofertas de cuidado dos diferentes serviços públicos de saúde, sendo este um dos grandes desafios atuais da reforma psiquiátrica brasileira.

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Publicado

2021-04-12 — Atualizado em 2021-04-20

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Seção

Artigos de pesquisa