A política macroeconômica brasileira no período 2003-2017: uma análise institucionalista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1806-5023.2019v16n1p348

Palavras-chave:

Ideias econômicas, Política Macroeconômica Brasileira, Neoliberalismo, Desenvolvimentismo, Institucionalismo Histórico

Resumo

Com base em um levantamento bibliográfico, neste artigo analiso a trajetória assumida pela política macroeconômica brasileira entre 2003 e 2017. Argumento que no final do primeiro governo Lula ocorreu uma hibridização do paradigma macroeconômico neoliberal então dominante. Apesar de conservar o tripé neoliberal instituído por FHC, esse paradigma “liberal-desenvolvimentista” apresentava medidas distributivas e redistributivas e medidas de incentivo aos setores produtivos. Esse paradigma híbrido manteve-se até 2016 quando Temer ascendeu à presidência. Orientando-se pelas diretrizes neoliberais, Temer tem eliminado os componentes desenvolvimentistas do paradigma macroeconômico fato que tem, por sua vez, conduzido o país de volta ao “fundamentalismo de mercado” dominante nos governos Collor e FHC.

Biografia do Autor

Leonardo Silva, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Doutorando em Sociologia Política pela UFSC. Pesquisador do Núcleo de Sociologia Econômica  (NUSEC) da UFSC e bolsista pelo CNPQ. Tem experiência nas áreas de Sociologia Econômica, Ciência Política eSociologia da Ciência.

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Publicado

2019-06-06