Unidades de polícia pacificadora: necropolítica e violência estatal em Via Ápia, de Geovani Martins

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1806-5023.2026.e108985

Palavras-chave:

Literatura marginal-periférica, Necropolítica, Violência estatal

Resumo

O estudo analisa o romance Via Ápia (2022), de Geovani Martins, sob a perspectiva da literatura marginal-periférica e das políticas de controle social implementadas pelo Estado nas favelas cariocas, especialmente a Rocinha. A narrativa, marcada pela “literatura da descontinuidade”, rompe com padrões eurocêntricos ao privilegiar a oralidade, a multiplicidade de vozes e a territorialidade periférica. A obra evidencia os impactos da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), apresentadas como instrumentos de repressão e necropolítica, em consonância com as reflexões de Achille Mbembe e Marielle Franco sobre a gestão da morte e o Estado penal. Ao retratar o cotidiano de jovens negros, a obra expõe a violência estrutural, o racismo e a precarização da vida em territórios marginalizados, mas também revela formas de resistência e reexistência comunitária, em que a cultura e a solidariedade emergem como forças de sobrevivência. 

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Publicado

2026-03-24