Olori, o dono da cabeça. Uma tipologia afro-descendente

Autores

  • José Jorge de Morais Zacharias UNIPAULISTANA

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2010v17n23p151

Palavras-chave:

Tipologia, C. G. Jung, Orixá, Candomblé, Religiões Afro-Brasileiras

Resumo

A questão das diferenças individuais tem levantado a curiosidade humana desde tempos antigos. Para se justificar estas diferenças e compreender pessoas que apresentam comportamentos diferentes ou semelhantes a outras pessoas, sistemas mágico-religiosos foram construídos em diferentes culturas e épocas. A astrologia, a medicina galênica, a quiromancia são exemplos desta inquietação. No mundo científico, pesquisadores do comportamento criaram tipologias para explicar o fenômeno. Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço desenvolveu uma tipologia classificando as pessoas em 16 tipos, com base em categorias como intro e extroversão, percepção do mundo através dos cinco sentidos ou da inspiração e tomada de decisão de maneira pessoal ou impessoal. Embora para muitos a cultura afro-descendente mostre-se primitiva, nela encontramos um sistema de explicação das diferenças individuais elaborado a partir de sua complexa mitologia e ritualística. Nesta tradição entende-se que cada pessoa tem, desde o nascimento, um orixá de cabeça, chamado Olori (o senhor da cabeça). Assim, serão atribuídos características de personalidade, miticamente determinadas, ao filho do orixá. Por exemplo, um filho de Ogum tenderá a ser combativo e impulsivo, ao passo que um filho de Oxalá será pacato e teimoso. Esta configuração tipológica contribui para a interação social nas comunidades afro-descendentes, valorizando as diferenças individuais em contraposição à tendência de uniformização social.

Biografia do Autor

José Jorge de Morais Zacharias, UNIPAULISTANA

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Publicado

2010-06-28

Edição

Seção

Dossiê