Esboços: histórias em contextos globais

Esboços: histórias em contextos globais tem como principal objetivo contribuir para o debate em torno da História Global. Nesse sentido, a revista publica artigos, entrevistas e resenhas que fomentem a reflexão em torno das abordagens transculturais, das múltiplas integrações, das histórias conectadas, transnacionais, comparadas, marítimas, do sistema mundo, dos processos em micro e macro escala, entre outros enfoques próprios da História Global. A revista Esboços é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina classificada como B1 no Qualis Capes na área de História.

 

Chamada para dossiê:  Virada global: tensões, limites e desafios

Prazo para envio: 30 de setembro de 2018

Publicação: volume 26, número 41 (jan.-abr. de 2019)

A multiplicação de obras, periódicos e instituições de pesquisa trabalhando sob a ótica da História Global aponta para sua consolidação na historiografia. O crescimento do campo, todavia, tenciona suas fronteiras: as tentativas de circunscrição de suas balizas, presentes nas diferentes obras de introdução que procuram responder à questão “o que é a história global?”, são eloquentes acerca do caráter ainda aberto de seu repertório conceitual e metodológico. Diversas abordagens e modos de se fazer história global convivem e/ou competem pela hegemonia. Assim, ao lado da tradicional world history, que procura reconfigurar as narrativas da história do mundo todo, estudos dos sistemas-mundo buscam sistematizar analiticamente as relações entre diferentes estruturas e macrorregiões; a big history, integrando a história humana em contextos espaço-temporais de escala cósmica, convive com a micro-história global, que demonstra a presença de processos globais em unidades de análise restritas a locais ou mesmo trajetórias individuais; a história conectada explora os fluxos e circuitos a partir dos quais processos globais são construídos e efetivados, ao passo que os estudos pós-coloniais questionam epistemológica e concretamente a centralidade da Europa na produção de narrativas e interpretações de alcance global. As “histórias globais” são múltiplas, seja do ponto de vista dos objetos (a globalização contemporânea, as globalizações ou processos semi- ou sub- globais, as redes de integração e a produção de fronteiras, as dialéticas entre o local/global etc), dos diálogos interdisciplinares (com a economia, a antropologia, a sociologia histórica etc) e de suas modalidades (dos diversos métodos comparativos à construção de narrativas singulares ou plurais). Cada abordagem combina-se de modos específicos com outras, de acordo com as agendas, trajetórias intelectuais e acadêmicas dos pesquisadores. Categorias compartilhadas, tais como “conexão”, “fluxos”, “circuitos”, “integração” e “fronteiras” são reconfiguradas em função de seus múltiplos usos em esquemas interpretativos distintos. O contexto cada vez mais multivocal, marcado pela construção de redes de pesquisa que ultrapassam as fronteiras dos centros globais, em particular com a incorporação de vozes de historiadores do Sul Global, amplia a tensão acerca do sentido e da pertinência das “histórias globais” na prática historiográfica contemporânea. Trata-se, pois, de uma arena aberta.

Se a consolidação da História Global como campo e/ou abordagem, em sua multiplicidade, indica que não se trata de apenas mais uma moda historiográfica entre tantas, surge a questão dos impactos – reais ou potenciais – de seus debates específicos nos demais campos historiográficos, sejam eles definidos por períodos, objetos ou abordagens. Para seus proponentes mais otimistas, a incorporação de historiadores de diferentes especializações à História Global começa a se constituir como uma “virada global”. Diante disso, pode-se questionar: os debates do campo da História Global têm relevância do ponto de vista dos territórios historiográficos tradicionais? A discussão sobre as conexões históricas e os processos de integração e produção de fronteiras ajuda a pensar os objetos consolidados ou, ainda, ajuda a construir novos objetos nos campos tradicionais? O presente dossiê convida pesquisadores dos mais diversos campos a refletir sobre os impactos reais ou potenciais dos debates da história global para seus campos de especialização, apontando assim os riscos, os limites e as possibilidades de sua apropriação no âmbito da configuração atual dos territórios historiográficos e suas fronteiras.