“O tempo abre as portas a quem sabe esperar”: usos do passado e embates do presente no percurso da exposição realizada na Penitenciária de Florianópolis (SC)

Autores

  • Viviane Trindade Borges UDESC

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2014v21n31p236

Palavras-chave:

Exposição, Penitenciária, Patrimônio, Lugar de memória

Resumo

A Penitenciária de Florianópolis foi inaugurada em 1930, em uma área considerada longe do centro urbano, logo absorvida por um bairro residencial. A partir de 1980, as fugas e as rebeliões passaram a amedrontar os moradores, fazendo da transferência do Complexo uma demanda constante. Em contrapartida, tal discussão evidencia a emergência da memória como uma das preocupações políticas e culturais da contemporaneidade, pois uma parcela da população confere importância histórica ao lugar, discurso este corroborado por alguns detentos, convidados a pensar sobre a proposta de tornar a velha Penitenciaria um museu. Tal discussão deu origem ao Espaço Memória da Penitenciária (2011). A presente comunicação trata dos desafios enfrentados ao tornar este espaço campo de estágio da disciplina Patrimônio Cultural, do curso de história da UDESC, propondo a salvaguarda de parte do acervo e a organização de uma pequena exposição, intitulada O tempo abre as portas a quem sabe esperar (2012), a qual abrange um período de vai de 1930 até 1970. A administração deste passado traz a tona um tempo em que presos e comunidade tinham uma convivência muito próxima, evidenciada através de imagens de eventos e torneios que marcavam a Semana de Sentenciado, proibida em 1986, quando ocorreu a maior rebelião do Estado. Entrar neste espaço marginalizado, fazer dele um campo de estágio para historiadores em formação, criar uma exposição que trata de um outro tempo, onde outras relações eram possíveis, incita a reflexão a respeito dos novos usos do passado. Pode este passado mediado pelas técnicas pedagógicas e performativas da história, reverberar no social, contribuindo como estratégia humanizadora? Até que ponto a administração deste passado pode provocar a reflexão e despertar a consciência critica sobre os rumos do sistema penal? São algumas questões a serem perscrutadas.

Biografia do Autor

Viviane Trindade Borges, UDESC

Doutora em História. Professora da Graduação e Pós-Graduação em História da Universidade do Esatdo de Santa Catarina.

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Publicado

2014-06-30