A invenção da diferença: a animalização como distinção do “eu” e do “outro” no imaginário ocidental nos séculos XVIII e XIX.

Arnaldo Lucas Pires Junior

Resumo


Neste artigo propomos uma discussão teórica sobre um dos expedientes mais correntes de diferenciação entre os homens, a animalização do “outro”. Através da análise de relatos de viagem e de obras de história natural nos sécs. XVIII e XIX, procuraremos demonstrar como a contestação da noção de humanidade enquanto atributo estático atingiu em cheio as concepções sobre a origem dos homens e aventou a possibilidade de uma hierarquização de suas experiências no mundo. Nossos esforços nos levaram a enfrentar um curioso paradoxo: os séculos XVIII e XIX – que viram florescer os ideais igualitários das revoluções burguesas – serão, ao mesmo tempo, o período em que esses valores se confinarão a grupos cada vez menores e em que se empunhará a diferença e a servidão de alguns sob o discurso da igualdade e da liberdade de outros.


Palavras-chave


Natureza; Cultura; Raça; Civilização; Barbárie

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7976.2018v25n40p317

Direitos autorais 2019 Arnaldo Lucas Pires Junior

Esboços: histórias em contextos globais - ISSN da versão impressa 1414-722x (cessou em 2008) e ISSN eletrônico 2175-7976 - Florianópolis - SC - Brasil