Armado com sua fé e sua medicina: visões da África e do africano a partir do diário de Albert Schweitzer.

Autores

  • Naiara Krachenski UFPR

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2018v25n40p378

Palavras-chave:

Imperialismo, Discurso médico, Colônias africanas

Resumo

Este artigo tem como objetivo compreender de que formas o discurso médico foi um elemento estruturante na produção e reprodução sobre estereótipos da África e do africano no contexto do imperialismo europeu. Para tanto, utilizamo-nos como fonte principal as memórias do médico alemão Albert Schweitzer sobre seu trabalho entre os anos de 1913 e 1916 na África Equatorial Francesa. Em um primeiro momento, analisamos os motivos e intenções apresentados pelo autor para iniciar sua jornada. Em um segundo momento, apontamos para dois estereótipos que são utilizados recorrentemente no texto de Schweitzer – a preguiça inata do negro e sua dependência ao álcool. Finalmente, apontamos outras duas características que aparecem nas memórias do médico e estruturam o modo de pensar imperialista: a pretensa superioridade europeia em relação aos africanos e a construção de uma alteridade animalesca.

Biografia do Autor

Naiara Krachenski, UFPR

Doutoranda no Programa de Pós Graduação em História na Universidade Federal do Paraná.

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Publicado

2018-12-18

Edição

Seção

Artigo