Perspectivas da história econômica global da Baixa Idade Média

Felipe Mendes Erra

Resumo


Este artigo tem como objetivo apresentar as linhas gerais de um modelo teórico capaz de conduzir uma abordagem econômica da Baixa Idade Média a partir de uma perspectiva global. Para tanto, começaremos reconhecendo as dificuldades inerentes a esse desafio. Na primeira seção, passaremos em revista diferentes estratégias adotadas pela historiografia diante do desafio de conduzir uma investigação utilizando, como unidade de observação geográfica, a macroescala. Na segunda seção, apresentaremos brevemente algumas propostas de História Global, chegando a uma situação historiográfica radicada na oposição de dois modelos constrangedores para o pesquisador em História Medieval: uma teoria que vê o início de relações globais apenas a partir do século XVI, e uma teoria que identifica relações globais a partir da Revolução Neolítica, concedendo pequena importância, quando não um juízo desfavorável, ao período medieval. Na terceira seção, a partir da análise dos fluxos comerciais existentes entre o mar Negro, a Itália e o noroeste da Europa durante o século XIV, teremos oportunidade de elencar algumas características do comércio transcontinental do período. Terminaremos com uma breve reflexão sobre a possibilidade de construir um modelo teórico capaz de investigar o emaranhado de conexões econômicas de longo alcance geográfico que existiam em um mundo essencialmente fragmentado, evitando teoremas gerais abstratos em favor da observação das singularidades locais.


Palavras-chave


História econômica medieval; Sistema-mundo; História global

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7976.2020.e66839

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