(Con)figurações do historiador em um tempo marcado pela disrupção tecnológica

Autores

  • Bruno Grigoletti Laitano Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de História, Porto Alegre, RS, Brasil https://orcid.org/0000-0002-2674-6711

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2020.e67217

Palavras-chave:

História digital, Humanidades digitais, Novas tecnologias

Resumo

O presente artigo tem por objetivo observar algumas das práticas que podem ser incorporadas pelos historiadores ante as possibilidades da chamada “era digital”. Analisamos, em parte, a relação das ciências humanas com os computadores, entendendo-a como um exercício de entusiasmo e de conservação, na medida em que as tecnologias são tomadas ora como uma potência de futuro, ora como a responsável pela dissolução do nosso campo profissional. Trabalhamos, também, com certas pressões sofridas pela disciplina histórica e o consequente anseio por se atualizar, tendo em vista o recente estudo de Valdei Araujo e Mateus Pereira acerca do “atualismo”. A disrupção tecnológica parece estar formando novas identidades para a história e para os historiadores, sendo capaz de alargar as suas fronteiras e reinventar as suas tradições. Projetos criados para a internet, por exemplo, de canais no YouTube a podcasts, surgem como novas formas de atuação, e representam as (con)figurações do historiador em um tempo marcado pela inovação. Por fim, discutimos brevemente a disciplinação de novos campos ou movimentos teóricos, como são os casos das humanidades digitais e da história digital. Há razão em circunscrever o digital em limites disciplinares? Argumentamos que as recriações digitais do passado, estimuladas pelo que há de mais sofisticado no universo das novas tecnologias, devem inspirar a imaginação histórica, estando sempre desprendidas dos imperativos da disciplina.

Biografia do Autor

Bruno Grigoletti Laitano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de História, Porto Alegre, RS, Brasil

Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestrando em História na mesma instituição. É membro do Laboratório de Estudos sobre os Usos Políticos do Passado (LUPPA). Estudou a difusão da memória da ditadura civil-militar brasileira na internet, em especial no canal do YouTube da Comissão Nacional da Verdade. Atualmente, trabalha com a digitalização de arquivos e o seu impacto sobre o ofício histórico.

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Publicado

2020-06-19

Edição

Seção

Dossiê "História global e digital: novos horizontes para a investigação histórica"