Representação régia: uma questão de gênero (séculos XV-XVII)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2020.e70682

Palavras-chave:

Masculinidade, Escritos régios, Cerimônias

Resumo

Este trabalho investiga a existência de uma cultura de Antigo Regime engendrada no Reino de Portugal e em seus domínios coloniais, desde o século XV até o XVII. Para tanto, colocamos sob análise as representações construídas sobre e pelos monarcas. Metodologicamente analisamos dois grupos de fontes documentais: o primeiro remete às cerimônias e aparições do Monarca e seus súditos, e o segundo, aos escritos régios que desvelam, de maneira clara e objetiva, comportamentos, hábitos e costumes marcadamente masculinizantes. Conclui-se que a literatura foi um importante pilar para a manutenção de uma cultura guerreira ibérica em declínio e para a propagação de modelos de masculinidade altamente viris no Reino e em suas colônias.

Biografia do Autor

Mário Martins Viana Júnior, Universidade Federal do Ceará

Professor do Programa de Pós-Graduação em História, do Mestrado Profissional em Ensino de História e do curso de graduação em História da Universidade Federal do Ceará. Possui doutorado em História Cultural (UFSC-2013) e mestrado em História Social (UFC-2009). É líder do Núcleo de Estudos sobre Memória e Conflitos Territoriais (COMTER), coordena o projeto de pesquisa "Por uma história agrária no Ceará" e o Grupo de Trabalho (GT) "Questão Agrária" da ANPUH-CE. No COMTER, é responsável pelo Grupo de Estudos sobre Questão Agrária. Desenvolve trabalhos de extensão voltados para a educação popular, a exemplo do programa de extensão “Memória das Comunidades Impactadas pelos Perímetros de Irrigação no Ceará”. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nas seguintes temáticas: campesinato, conflitos territoriais, memórias do campo, semiárido, gênero, masculinidades, América Portuguesa, Brasil República. Atualmente cursa pós-doutorado no ICS de Lisboa, participando dos seguintes grupos de pesquisa: "Poder, Sociedade e Globalização" e "Ambiente, Território e Sociedade". É membro da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais (SPER) e da Soceidad de Estudios de Historia Agraria (SEHA)

Patrícia Rosalba Salvador Moura Costa, Universidade Federal de Sergipe

Pós-doutora em Ciências Humanas na Universidade Pablo Olavide- Bolsista CAPES (2016 - Sevilha-Espanha) e Doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (2012). Possui Mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe - UFS (2006), Graduação em Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (2003) e graduação em Bacharelado em Ciências Sociais pela UFS (2003). Atualmente é professora do Campus do Sertão da Universidade Federal de Sergipe e Diretora de Licenciaturas e Bacharelado da Universidade Federal de Sergipe. Também é vice-coordenadora e atua como professora permanente no Mestrado em Antropologia da UFS. Desenvolve pesquisas na área interdisciplinar em Humanidades, com ênfase em Sociologia e Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: gênero e ruralidades, relações de poder, violências, sexualidades . Líder e pesquisadora do grupo de pesquisa XiqueXique UFS/CNPq (Grupo de Pesquisa Gênero e Sexualidade). Publicou e organizou livros e artigos nas área de Gênero, violências, relações de poder, educação no campo. Foi aluna bolsista PDEE no Instituto Universitário de Lisboa - ISCTE, em 2010 e 2011.

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2021-01-15

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Artigo