Internacionalismo e redemocratização brasileira: as transações de cúpula da internacional socialista e as conexões entre Brasil e Portugal em 1976

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2021.e78249

Palavras-chave:

Internacionalismo, Redemocratização, Conexões internacionais

Resumo

Ao longo de 1976, os contatos entre grupos políticos de diferentes países da América Latina e da Europa encetaram a constituição de uma linguagem comum proporcionada pela organização Internacional Socialista. O presente texto objetiva identificar e analisar as relações entre agentes da oposição ao regime ditatorial brasileiro com a Internacional Socialista e os debates então suscitados em torno da possível criação de uma organização partidária aos moldes dos integrantes daquela entidade. Setores das oposições brasileiras buscaram as conexões internacionais como forma de intervenção política e encontraram na atuação do governo de Portugal que emergiu dos desdobramentos da Revolução dos Cravos os meios para dar contornos transnacionais às suas iniciativas com vistas à reorganização de partidos políticos. Por meio da investigação em veículos de imprensa de ambos os países, bem como de documentos que evidenciam a preocupação de agentes da ditadura com o processo, é possível explorar a perspectiva da conectividade das negociações e os fluxos de ideias e representações políticas que atravessavam as fronteiras nacionais. Foi então praticado um internacionalismo de cúpulas dirigentes que, contornando governos, pretendeu influenciar a abertura política no Brasil.

Biografia do Autor

Reinaldo Lindolfo Lohn, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

Doutor em História. Professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina ((UDESC). Bolsista produtividade em pesquisa CNPq.

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Publicado

2021-08-12

Edição

Seção

Dossiê "Internacionalismo e história global"