Cadeias mercantis e história global das Américas coloniais a partirdo continente africano

Autores

  • Crislayne Gloss Marão Alfagali Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2021.e82835

Palavras-chave:

Mineração, África, Trabalhadores

Resumo

Este artigo propõe um diálogo historiográfico a partir das conexões históricas e culturais entre o Brasil e o continente africano, enfatizando a centralidade da experiência dos trabalhadores que detinham conhecimentos mineralógicos para a história da exploração aurífera. O objetivo é analisar como metalúrgicos africanos ajudaram ou resistiram aos empreendimentos de mineração colonial, moldaram práticas científicas e ofereceram visões criativas do trabalho em metal. Pretende-se, por fim, analisar os impactos da exploração aurífera de Minas Gerais no Reino de Angola, onde os portugueses também investiram na prospecção do ouro.

Referências

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

ALFAGALI, Crislayne. Ferreiros e fundidores da Ilamba: Uma história social da fabricação de ferro e da Real Fábrica de Nova Oeiras (Angola, segunda metade do séc. XVIII). Luanda: Fundação Dr. António Agostinho Neto, 2018.

BAILYN, Bernard. Atlantic History: concept e contours. Cambridge: Harvard University Press, 2005.

BIGELOW, Allison Margaret. Mining Language: racial thinking, indigenous knowledge, and colonial metallurgy in the early modern Iberian world. Virginia: [Omohundro Institute of Early American History and Culture] University of North Carolina Press, 2020.

CARTA de Antonio Alvares da Cunha. [Fundos:] Pessoais e Familiares: Condes da Cunha. Livro VI — III. Coimbra: Arquivo da Universidade de Coimbra. São Paulo de Assunção de Luanda, [entre 1754 e 1757].

CARTA de Francisco de Sousa Coutinho. Cartas e ordens do Governador de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, Manuscrito. v. I. COD. 8742, (Manuscritos Reservados); F. 6364 (Microfilme). Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal. São Paulo de Assunção de Luanda, 8 de março de 1766.

CARTA de Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Conselho Ultramarino. Códice 472. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa. [s.l.]: 13 de novembro de 1761.

COSTA, Antonio Nogueira da. Penetração e impacto mercantil português em Moçambique nos séculos XVI e XVII: O caso do Muenemutapa. Maputo: Cadernos do Tempo, 1982.

ESCHWEGE, Wilhelm Ludwig von. Pluto Brasiliensis. Belo Horizonte; São Paulo: Itatiaia; EDUSP, 1979. v. I.

FERREIRA, Francisco Salles. Minas em Angola: Ouro, prata e carvão no Golungo Alto e Cambambe. Lisboa: Typographia de A. da Costa Braga, 1896.

FRAGOSO, João; GUEDES, Roberto; KRAUSE, Thiago. A América portuguesa e os sistemas atlânticos na época moderna: monarquia pluricontinental e Antigo Regime. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 2013.

FURTADO, Junia Ferreira. Mulheres escravas e forras na mineração no Brasil, século XVIII. Revista Latinoamericana de Trabajo y Trabajadores, Amsterdã, v. 1, nov. 2020–abr. 2021.

GAMES, Alison. Atlantic History: definitions, challenges, and opportunities. The American Historical Review, Washington, v. 111, n. 3, p. 741-757, 1 jun. 2006.

GREEN, Toby. A fistful of shells: West Africa from the rise of the slave trade to the age of revolution. Londres: Allen Lane, 2019.

HESPANHA, António Manuel. As vésperas do Leviathan: Instituições e poder político, Portugal – Séc. XVII. São Paulo: Alamedina, 1994.

MARQUES, Leonardo. Cadeias mercantis e a história ambiental global das Américas coloniais. Esboços, Florianópolis, v. 28, n. 49, p. 668-697, set./dez. 2021.

MARQUESE, Rafael de Bivar. A história global da escravidão atlântica: balanço e perspectivas. Esboços, Florianópolis, v. 26, n. 41, p. 14-41, 2019.

MAWE, John. Viagens ao interior do Brasil. Belo Horizonte; São Paulo: Itatiaia; EDUSP, 1978.

NOVAIS, Fernando A. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (17771808). São Paulo: Hucitec, 1979.

OFÍCIO do [governador e capitão-general de Angola], António de Vasconcelos, ao [secretário de estado da Marinha e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre a carta do secretário de 18 de Novembro de 1761 acerca das ordens régias relativas ao porto e ao presídio de Benguela; [...]. Lisboa: Arquivo Histórico Ultramarino. Conselho Ultramarino, Angola. [Código de referência:] PT/AHU/CU/001/0048/04445. Cx. 48, D. 4445. [presumivelmente em] São Paulo da Assunção de Luanda, 28 de junho de 1762.

PRADO JR., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1961 [1942].

REQUERIMENTO da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, ao governador e capitão-general de Moçambique, em que informa das actividades piedosas que executa, tais como, o Hospital para Pobres, Casa de Roda dos Expostos e Hospital de Mulheres Pobres e faltando recursos para os manter, pede a mercê perpétua do Prazo da Coroa, denominado “Tirre”, Distrito da Vila de Quelimane. Lisboa: Arquivo Histórico Ultramarino. Conselho Ultramarino, Moçambique. [Unidade de instalação (cota antiga):] AHU-Moçambique, cx. 232, doc. 59. s.l.: [ant. 25 de maio de 1830].

RODNEY, Walter. How Europe underveloped Africa. Londres: L’Ouverture Publications, 1972.

SOBRE A INFORMAÇÃO que se pediu ao governador do Rio de Janeiro a respeito de dizer se convinha que fôssem só para as minas os negros de Angola. In: BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE. Biblioteca Nacional, divisão de obras raras e publicações. Consultas do Conselho Ultramarino: Rio de Janeiro, 1687-1710. v. XCIV. Rio de Janeiro: Gráfica Tupy, 1951. p. 28-30. Lisboa Ocidental, 18 de setembro de 1728. (Série Documentos Históricos). Disponível em: http://memoria. bn.br/pdf/094536/per094536_1951_00094.pdf. Acesso em: 9 out. 2021.

WILLIAMS, Eric. Capitalismo e escravidão. São. Paulo: Companhia das Letras, 2012 [1944].

Downloads

Publicado

2021-12-29

Edição

Seção

Debate "Colapso ambiental e histórias do capitalismo"