A América colonial e a história das mercadorias: a pluralidade de tempos no capitalismo histórico

Autores

  • Leonardo Marques

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7976.2021.e85138

Palavras-chave:

América colonial, História das mercadorias, Templos plurais

Resumo

Esta réplica explora algumas das principais questões levantadas pelos comentários de Crislayne Alfagali, Jack Bouchard, Mary Draper, Waldomiro Lourenço Jr. e Jason Moore a respeito de meu primeiro artigo, “Cadeias mercantis e a história ambiental global das Américas coloniais”. O texto segue uma divisão tripartite semelhante ao primeiro. Inicialmente, discuto algumas questões relacionadas à disciplina e aproveito para expandir aspectos que ficaram subdesenvolvidos em minha intervenção inicial, como a discussão sobre nacionalismo metodológico. Em um segundo momento, discuto especificamente as potencialidades e limites da história das mercadorias para se pensar a história do capitalismo. Na terceira e última seção, tomo como fio condutor a discussão sobre conhecimentos de indígenas e africanos na construção do mundo Atlântico para tentar amarrar as inúmeras questões levantadas ao longo do texto.

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Publicado

2021-12-29

Edição

Seção

Debate "Colapso ambiental e histórias do capitalismo"