Mal radical e psicologia moral em Kant segundo John Rawls

Autores

  • Aguinaldo Pavão Universidade Estadual de Londrina-PR

DOI:

https://doi.org/10.5007/1677-2954.2013v12n1p101

Palavras-chave:

psicologia moral, imputação, liberdade, bem, mal, livre arbítrio

Resumo

Em suas Lectures on the History of Moral Philosophy, Rawls esposa a interpretação de que Kant teria se comprometido, sobretudo na Fundamentação, com o que ele chama, tendo Agostinho como inspiração, de “psicologia moral maniqueísta”. Esse flerte inicial acabaria, porém, sendo abandonado, na Religião, em favor de uma “psicologia moral agostiniana”. Essa psicologia atribui exclusivamente à liberdade do arbítrio a fonte do mal moral e repele a ideia de que o mal teria como causa nossa natureza desiderativa ou, até mesmo, social. Pode-se afirmar que, ao fazer uso da expressão “psicologia moral agostiniana”, Rawls apenas chama a atenção, com outro nome, para o que, mais consagradamente, tem sido chamado, a partir de Allison, de tese da incorporação. Esse parece um ponto incontroverso, ou majoritariamente aceito pelos comentaristas de Kant. Não me parece ser o caso, porém, da presença na filosofia moral de Kant do que Rawls chama de psicologia moral maniqueísta. Tal psicologia afirma a existência de dois eus, um bom, que temos à medida que pertencemos ao mundo inteligível, e outro mau, que possuímos como seres do mundo sensível. Rawls corretamente assinala as dificuldades que, de imediato, emergem a partir da psicologia moral maniqueísta, nomeadamente a relacionada à teoria do mal moral em geral e, correspondentemente, à compreensão da responsabilidade moral.  O objetivo do artigo será discutir se Rawls tem razão em atribuir ao pensamento moral de Kant na Fundamentação essa tal psicologia moral maniqueísta. Defenderei que a leitura de Rawls, em seus aspectos mais gerais, é procedente. Sustentarei, porém, que certas considerações que Rawls faz sobre o mundo inteligível e o mundo sensível, especialmente sobre sua possível inoperância, ou abandono dessa distinção na Religião, não merecem acolhimento pleno. Também advogarei que a leitura de Rawls se ressente da ausência de um apelo a recursos conceituais internos à Fundamentação autenticadores da presença, nessa obra, da psicologia moral agostiniana.

Biografia do Autor

Aguinaldo Pavão, Universidade Estadual de Londrina-PR

Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina. Área: ética e filosofia política.

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Publicado

2013-07-28

Edição

Seção

Artigos