A grande e a pequena ética de Schopenhauer

Autores

  • Vilmar Debona UFRRJ

DOI:

https://doi.org/10.5007/1677-2954.2015v14n1p36

Palavras-chave:

Schopenhauer, Ética, Compaixão, Ética da melhoria, Motivos

Resumo

O objetivo do presente artigo é sustentar a hipótese de que muitos aspectos empíricos e objetivos da fundamentação da moral elaborada por Schopenhauer configuram o que pode ser denominado de uma pequena ética. Esta pequena ética poderia ser diferenciada em relação a aspectos metafísicos da ética schopenhaueriana, aspectos estes que permitiriam a identificação de uma grande ética. Isso porque, por um lado, a noção schopenhaueriana de negação imediata da vontade por meio da compaixão (compaixão tomada como um grande mistério, groβe Misteryum) e a noção de supressão do caráter (Aufhebung des Charakters) compõem a esfera da metafísica da ética. Por outro lado, as ideias de ética da melhoria (bessernde Ethik) e de motivos mediatos (pelo papel ativo do intelecto) indicam uma dimensão empírica desta mesma ética. O reconhecimento dessas duas perspectivas de consideração da ação humana permitiria entender que a ética em Schopenhauer não se reduz à imediatez não-ensinável da compaixão e nem à radicalidade de uma “ordem de salvação” acessível a poucos.

Biografia do Autor

Vilmar Debona, UFRRJ

Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e Professor Adjunto de Filosofia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) - Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil.

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Publicado

2015-08-31

Edição

Seção

Artigos