Charlie hebdo: sobre a democracia francesa

Jordan Michel Muniz

Resumo


Discutirei os assassinatos no jornal Charlie Hebdo a partir de questões ligadas à religião, à democracia e à liberdade, nesta ordem. Primeiro, irei apresentar aspectos sociais e econômicos da vida dos imigrantes na França, seguidos por fatos da história da dominação imposta aos países abandonados pelos imigrantes. Depois, vou recorrer a Judith Butler e à teoria do discurso para mostrar como a exclusão social foi materializada na França, e defender que uma grave desigualdade política cinde a sociedade francesa, originando revoltas. Problemas de caráter racial foram convertidos em contenda religiosa, fixando identidades antagônicas que barram a interação. Por último, irei apontar a necessidade de transformação da democracia francesa, de modo a dar cidadania efetiva a todos os imigrantes. Converter o conflito religioso atual em embate político permitirá estender os direitos sociais e humanos a todos e valorizar as liberdades democráticas. Talvez por este caminho venha a ser possível a França e outros países europeus construírem uma sociedade realmente igualitária em termos sociais e políticos, com liberdades plenas para todos.

 


Palavras-chave


Democracia; Igualdade; Teoria do discurso; Racismo; Religião

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DOI: https://doi.org/10.5007/1677-2954.2015v14n2p252

          

 

 

ethic@. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil, eISSN 1677-2954

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