Bruno Latour e Michel Foucault: a formação de práticas civilizatórias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1677-2954.2016v15n1p142

Palavras-chave:

Liberdade, Ética, Foucault, Latour

Resumo

Esse artigo discute o problema da efetividade de práticas civilizatórias no contexto das sociedades atuais, uma vez que estas decorrem de um longo processo de racionalização da vida coletiva e individual responsável pela dicotomização entre técnica e valor, racionalidade e irracionalidade, liberdade e heteronímia. Contudo, na contramão de grande parte de pensadores que analisaram esse processo a partir da perspectiva da razão como centro de produção, tanto das conquistas ético-políticas quanto da lógica da reprodução técnica das sociedades modernas, Bruno Latour e Michel Foucault desenvolveram argumentos convincentes, segundo os quais sociedades orientadas predominantemente pela racionalização jamais existiram e, por isso mesmo, não se pode negar que estas mesmas sociedades desenvolveram ou podem desenvolver modos de vida ou práticas coletivas e individuais de existência ético-civilizatórias. 

Biografia do Autor

Edilene Maria Carvalho Leal, Universidade Federal de Sergipe

Graduada em Filosofia, mestrado e doutorado em Sociologia. Professora de Sociologia do departamento de Ciências Sociais/UFS. Atua, principalmente, na área de teoria social e filosofia contemporânea, com ênfase em ética e política.

 

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Publicado

2016-09-02

Edição

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Artigos