Os paradoxos (solúveis e insolúveis) da tolerância

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1677-2954.2019v18n1p61

Palavras-chave:

Filosofia política, Tolerância, Paradoxos

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar três paradoxos envolvidos na noção de tolerância e analisar suas possíveis soluções, utilizando os resultados desta discussão para descrever um possível quarto paradoxo, relativo ao valor atribuído à tolerância pelos agentes envolvidos, que é aqui considerado como constitutivo e, portanto, insolúvel. Para isto, será apresentada uma noção estrutural da tolerância como ideal moral, discutindo-se seus elementos. Em seguida, a partir da relação com os componentes específicos desta noção, serão analisados os três paradoxos mencionados, dois muito conhecidos e um terceiro pouco discutido e ainda a ser nomeado, e suas possíveis soluções, que exigirão, respectivamente: a apresentação de argumentos em favor da tolerância, a discussão dos seus limites e uma interpretação exigente do componente de desaprovação moral daquela estrutura. Por último, partindo da discussão dos paradoxos anteriores e das suas soluções, será proposto um possível quarto paradoxo, não formulado explicitamente como tal nestas discussões, mas cujos elementos constitutivos já foram indicados desde o século XVIII, bem como apresentadas as razões da sua aparente insolubilidade.

Biografia do Autor

Ricardo Corrêa de Araujo, PPGFIL - UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória/ES.

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1997), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000) e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004). Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia política contemporânea, interessando-se principalmente pelas relações entre Filosofia, democracia e justiça. Membro do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia - PPGFIL/UFES.

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Publicado

2019-03-29

Edição

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Artigos