Entre o cosmopolitismo e o realismo político: Habermas, Honneth e a Escola Inglesa das Relações Internacionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1677-2954.2020v19n2p338

Palavras-chave:

Cosmopolitismo, Escola Inglesa das Relações Internacionais, Patriotismo Constitucional, Reconhecimento entre Estados, Teoria Crítica

Resumo

Este artigo reformula a discussão do cosmopolitismo na teoria crítica de Habermas e Honneth, a partir da noção de “patriotismo constitucional” elaborada pelo primeiro e de uma problemática teoria do reconhecimento entre Estados no segundo, recorrendo a algumas premissas da Escola Inglesa das Relações Internacionais, com ênfase na interlocução entre pluralismo e solidariedade, a fim de se avançar no debate cosmopolita para além de uma proposta normativamente eurocêntrica e como alternativa a modelos utópicos e estatais. Partindo de uma constatação conjuntural de uma realidade política que se dirige ao cosmopolitismo, Habermas utiliza-se da questão identitária e da respectiva consciência da sociedade enquanto capaz de se autorregular como elemento sine qua non da legitimidade de uma prática política supranacional. Contudo, ao apresentar seu panorama, o filósofo de Sternberg pode ser acusado de cair em um ocidentalismo normativo. Honneth mostra-se cético quanto à ideia de estender sua teoria do reconhecimento às relações interestatais ou como algo a ser intuitivamente inferido de uma filosofia robusta do direito, como a que ele mesmo buscou reatualizar pela reconstrução normativa da teoria hegeliana do direito. Acreditamos que a Escola Inglesa pode viabilizar novos encaminhamentos em relação a uma realidade pós-nacional em que seja possível vigorar princípios como justiça global e direitos humanos, ao mesmo tempo em que são respeitadas as clivagens normativas entre povos em vias de não suprimir valorações morais e culturais distintas.

Biografia do Autor

João Henrique Salles Jung, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, R.S.

Ex-presidente e Pesquisador Associado do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE). Mestrando em Filosofia pela PUCRS. Bolsista da CAPES.

Nythamar de Oliveira, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, R.S.

Professor Titular de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) / Pesquisador do CNPq, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, RS, Brasil.

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Publicado

2020-09-21