Ficcionalização da moral:um roteiro

Wilson Mendonça, Idia Laura Ferreira

Resumo


O trabalho identifica algumas questões críticas em tentativas recentes de tratar o objeto da moralidade como uma ficção. Sobre o pano de fundo de uma distinção entre cognitivismo e não-cognitivismo moral exclusivamente em termos da natureza do estado mental expresso pelo enunciado moral, independentemente do conteúdo semântico do enunciado (§ 1), o trabalho mostra um deficit estrutural no argumento da intransigência proposto por Kalderon a favor do ficcionalismo moral hermenêutico (§ 2). Mediante a reconstrução dos passos que levam do cognitivismo irrealista ao ficcionalismo moral revolucionário, argumenta-se que não é claro como uma moral fictícia concebida por Joyce poderia ainda ter uma influência adequada na conduta cooperativa e na resolução de conflitos de interesses (§ 3). Ademais, a diferenciação entre a interpretação de dicto e a interpretação de re da conexão necessária entre o juízo moral e a motivação revela as lacunas no argumento internalista comum a favor do não-cognitivismo e no argumento da bizarrice em favor do cognitivismo irrealista (§ 4). O trabalho é encerrado com algumas observações sobre o recurso à teoria humiana das razões normativas na tentativa de justificação da teoria do erro invocada pelo ficcionalismo moral revolucionário (§ 5).


Palavras-chave


Metaética; Cognitivismo moral; Ficcionalismo hermenêutico e revolucionário; Internalismo motivacional; Internalismo de razões.

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DOI: https://doi.org/10.5007/1677-2954.2010v9n2p175

 

 

 

 

 

ethic@. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil, eISSN 1677-2954

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