Ações de educação alimentar e nutricional na promoção de práticas alimentares saudáveis em idosas de uma instituição de longa permanência

Autores

  • João Paulo Lima de Oliveira Universidade Federal de Lavras https://orcid.org/0000-0002-9623-5474
  • Monique Louise Cassimiro Inácio Universidade Federal de Lavras https://orcid.org/0000-0002-0675-0895
  • Débora Pereira Marcelino Universidade Federal de Lavras
  • Isabela Naiara Freire Furtado Universidade Federal de Lavras
  • Luciana de Paiva Godinho Universidade Federal de Lavras
  • Michel Cardoso De Angelis Pereira Universidade Federal de Lavras

DOI:

https://doi.org/10.5007/1807-0221.2021.e77024

Palavras-chave:

Saúde do Idoso, Prevenção de Doenças, Promoção da Saúde, Alimentação Saudável

Resumo

A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é uma área do conhecimento considerada essencial para a promoção da saúde e prevenção de doenças. Contudo, existem poucos estudos desenvolvidos com idosos, população suscetível ao surgimento de enfermidades. O objetivo deste estudo foi desenvolver ações de EAN para a promoção da saúde por meio da melhoria das escolhas alimentares de idosas residentes em uma Instituição de Longa Permanência situada em Lavras, Minas Gerais, Brasil. Para tanto, foram conduzidas ações de EAN durante quatro meses, com 19 idosas, usando fundamentações metodológicas pautadas nos estudos de Paulo Freire e Johaan Henrich Pestalozzi, que advém para interpor caráter inovador na condução da EAN em detrimento das práticas tradicionais, como a educação bancária. Foram realizadas cinco ações com o intuito de construir o conhecimento acerca de alimentação e nutrição, estimulando a criticidade, autonomia e o empoderamento das idosas em suas escolhas alimentares. As intervenções realizadas apresentaram êxito quanto à melhoria das escolhas alimentares, demonstrando respostas positivas no uso de metodologias problematizadoras, desenvolvendo a autonomia quanto às escolhas alimentares saudáveis das idosas.

Biografia do Autor

João Paulo Lima de Oliveira, Universidade Federal de Lavras

Graduado em Nutrição pela Universidade Federal de Lavras - UFLA (2018), Mestre em Nutrição e Saúde (2020) e atualmente é Doutorando do Programa de Pós Graduação em Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares na mesma universidade. 

Monique Louise Cassimiro Inácio, Universidade Federal de Lavras

Doutoranda em Saúde e Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e mestre em Ciências pela Universidade Federal de Lavras (2019). Possui graduação em Nutrição (2017) pela mesma instituição e período de graduação sanduíche (Programa Ciência sem Fronteiras) pela Auburn University (2013-2014). É membro do Coletivo de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Lavras (SANS Lavras) e do Grupo de Estudos Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS - UFMG). 

Débora Pereira Marcelino, Universidade Federal de Lavras

Possui graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário de Lavras. É graduanda do curso de Nutrição da Universidade Federal de Lavras.

Isabela Naiara Freire Furtado, Universidade Federal de Lavras

Possui graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário de Lavras. É graduanda do curso de Nutrição da Universidade Federal de Lavras.

Luciana de Paiva Godinho, Universidade Federal de Lavras

Possui graduação em Nutrição Bacharelado pela Universidade Federal de Lavras (2018) e Ciências Biológicas Licenciatura pelo Centro Universitário de Lavras (2008). Atualmente cursa especialização em Doenças Crônicas Não-Transmissíveis pelo Centro de Ensino Superior Dom Alberto Ltda. 

Michel Cardoso De Angelis Pereira, Universidade Federal de Lavras

Possui graduação em Nutrição (2001); Mestrado em Química, Físico-química e Bioquímica dos Alimentos (2003) e Doutorado em Ciência dos Alimentos (2007) pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Professor Associado III do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Lavras. 

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Resolução da diretoria colegiada- RDC nº 283, de 26 de Setembro de 2005. Aprova o Regulamento Técnico que define normas de funcionamento para as Instituições de Longa Permanência para Idosos. Diário Oficial da União; Poder Executivo, de 27 de setembro de 2005. Disponível em:https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2014/10/rdc-283-2005.pdf Acessado em: 10 abr. 2021.

ALVES, W. O. Pestalozzi: Um romance pedagógico. Rio de Janeiro: Editora Ide, 2014. 304 p.

ANDRETTA, V; SIVIERO, J.; MENDES, G. K.; MOTTER, F. R.; THEODORO, H. Consumo de alimentos ultraprocessados e fatores associados em uma amostra de base escolar pública no sul do Brasil. Ciência e Saúde Coletiva, 2019. Disponível em http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/consumo-de-alimentos-ultraprocessados-e-fatores-associados-em-uma-amostra-de-base-escolar-publica-no-sul-do-brasil/17271?id=17271. Acesso em: 28 junho 2020.

BARBOSA, N. V. S. et al. Alimentação na escola e autonomia - desafios e possibilidades. Ciência e Saúde Coletiva, v. 18, n. 4, p. 937-945, 2013.

BECK, C. Método Paulo Freire de alfabetização. Andragogia Brasil, 2016. Disponível em: https://andragogiabrasil.com.br/metodo-paulo-freire-de-alfabetizacao/. Acesso em: 28 junho 2020.

BOOG, M. C. F. Atuação do nutricionista em saúde pública na promoção da alimentação saudável. Revista Ciência e Saúde, Porto Alegre, v.1, n.1, p. 33-42, 2008.

BOOG, M. C. F. Programa de educação nutricional em escola de ensino fundamental de zona rural. Revista de Nutrição, v. 23, n.6, Campinas, v. 23, n.6, p. 1005-1017, 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Universidade Federal de Minas Gerais. Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 168 p.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. Brasília-DF, 2012. 68 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 156 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.528 de 19 de outubro de 2006. Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 202, 20 out. 2006.

CAMARGOS, M. C. S.; NASCIMENTO, G. W. C.; NASCIMENTO, D. I. C.; MACHADO, C. J. Aspectos relacionados à alimentação em Instituições de Longa Permanência para Idosos em Minas Gerais, v. 23, n. 1, p. 38-43, 2015.

CASAGRANDE, K. et al. Avaliação da efetividade da educação alimentar e nutricional em idosos. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 12, n. 73, p. 591-597, 2018.

CERVATO, A. M. et al. Educação nutricional para adultos e idosos: uma experiência positiva em universidade aberta para a terceira idade. Revista de Nutrição, Campinas, v.18, n.1, p. 41-52, 2005.

CHIARELLA, T. et al. A pedagogia de Paulo Freire e o processo ensino aprendizagem na educação médica. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 39, n. 3, p. 418-425, 2015.

CHUNG, L. M. Y.; CHUNG, J. W. Y. Effectiveness of a food education program in improving appetite and nutritional status of elderly adults living at home. Asia Pacific Journal of Clinical Nutrition, v. 23, n. 2, p. 315-320, 2014.

CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS – CFN. Resolução CFN No 600 de 25 de Fevereiro de 2018. Dispõe sobre a definição das áreas de atuação do nutricionista e suas atribuições, indica parâmetros numéricos mínimos de referência, por área de atuação, para a efetividade dos serviços prestados à sociedade e dá outras providências, 2018. Disponível em https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/resolucoes/Res_600_2018.htm. Acesso em: 10 de abril de 2021.

DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS – DICIO. Significado de empoderamento Disponível https://www.dicio.com.br/empoderamento/#:~:text=substantivo%20masculino%20A%C3%A7%C3%A3o%20de%20se,diz%20respeito%3A%20empoderamento%20das%20mulheres Acesso em 10 de Abril de 2021.

FREIRE, P. A pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed. São Paulo: Editora. Paz e Terra, 2011.

GRILO, L. P.; CONCEIÇÃO, M. L.; DE MATOS, C. H.; DE LACERDA, L. L. V. Estado nutricional e práticas de educação nutricional em escolares. O Mundo da Saúde, v.40, n.2, p.230-238, 2016.

INÁCIO, M. L. C. Método intuitivo como metodologia inovadora para a prática em educação alimentar e nutricional. 2019. 85 p. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Saúde) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2019.

INCONTRI, D. Pestalozzi: Educação e ética. São Paulo. Scipione, 1997.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 4ª edição, Rio de Janeiro, 2019.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo: expectativa de vida dos brasileiros, 2019. Disponível em: https://censo2021.ibge.gov.br/2012-agencia-de-noticias/noticias/26103-expectativa-de-vida-dos-brasileiros-aumenta-para-76-3-anos-em-2018.html Acesso em 10 de Abril de 2021.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA E APLICADA – IPEA. Cuidados de longa duração para a população idosa: um novo risco social a ser assumido? Rio de Janeiro, 2010.

KAWAKAMI, R. M. S. A. et al. Perspectiva dos idosos sobre a experiência de morar só. Saúde Coletiva (Barueri), v. 10, n. 59, p. 4482-4487, 2020.

MELO, J. N. S.; MELLO, A. V.; COELHO, H. D. S. Consumo de alimentos ultraprocessados por idosos frequentadores de uma clínica integrada de saúde em São Paulo. Revista Saúde (Santa Maria), v. 46, n.1, p. 1-13, 2020.

MENDES, G. M.; OLIVEIRA, T. C. Assistência nutricional em instituição de longa permanência para idosos: relato de experiência. Revista Brasileira de Educação e Cultura, n. 18, p. 156-165, 2018.

MONTEIRO, C. A. et al. Increasing consumption of ultra-processed foods and likely impact on human health: evidence from Brazil. Public Health Nutrition, v. 14, n. 1, p. 5-13, 2011.

MURIMI, M. W. et al. Factors Influencing Efficacy of Nutrition Education Interventions: A Systematic Review. Journal of Nutrition Education and Behavior, v. 49, n. 2, p. 142-165, 2017.

OLIVEIRA, M. A. A escola elementar de Pestalozzi e Calkins: como ensinar número? Revista Linhas, v. 16, n. 31, p. 173-201, 2016.

PEREIRA, R. C.; INÁCIO, M. L. C.; PEREIRA, M. C. A. Educação alimentar e nutricional: das bases teóricas às experiências práticas. Lavras: Editora UFLA, 2019. 226 p.

PERONDI, C. Análise de práticas de educação alimentar e nutricional com grupos na atenção primária à saúde: uma abordagem freireana é possível? 2020, 121 p. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino e Saúde) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul., 2020.

RAMOS, F.P.; SANTOS, L. A. S.; REIS, A. B. C. Educação alimentar e nutricional em escolares:

uma revisão de literatura. Cadernos de Saúde Pública, v. 29, n. 11, p. 2147-2161, 2013.

ROCHA, G. O. et al. Avaliação nutricional seguida de ações educativas para promoção de hábitos alimentares saudáveis em mulheres com câncer de mama participantes de um grupo de apoio no sul de Minas Gerais. Interagir: Pensando a Extensão, v. 1, n. 21, p. 35-54, 2016.

WALLACE, R.; DEVINE, A. Tailored nutrition education in the elderly can lead to sustained dietary behavior change. The Journal of Nutrition, Health & Aging, v. 20, n. 1, p. 8-15, 2016.

WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases: Report of a Joint WHO/FAO Expert Consultation. Geneva: WHO Technical Report Series, v. 916, 2003. 168 p.

WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. World Health Organization; tradução Suzana Gontijo. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60 p.

Downloads

Publicado

2021-08-26