Negros jogam, brancos torcem: a ritualização das relações raciais na publicidade da Copa do Mundo

Autores

  • Édison Luís Gastaldo Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Palavras-chave:

Copa do Mundo, Futebol, Racismo, Publicidade

Resumo

Este trabalho consiste em uma análise das representações sociais da etnicidade nos anúncios publicitários brasileiros veiculados durante a Copa do Mundo de 1998. A partir do estudo extensivo de um corpus de 415 anúncios publicitários, constatei a existência de uma “retórica visual” da representação dos grupos negros e brancos no contexto dos anúncios publicitários, que confirma e naturaliza a hegemonia dos grupos brancos sobre a sociedade brasileira. Enquanto aos brancos é adequado o papel de “torcedor brasileiro”, em casa, no trabalho ou no campo de futebol, aos negros ficam reservados os “papéis” de meninos pobres, sem camisa e bons de bola, ou de “membros” de torcidas em lugares públicos – em geral sem camisa – e jamais dentro das casas do mundo dos anúncios. Um outro lugar “adequado” aos atores negros no contexto dos comerciais é ao lado de brancos e japoneses, compondo uma versão visual do “mito das três raças”, legitimando a ideologia da “democracia racial” nos anúncios publicitários.

Biografia do Autor

Édison Luís Gastaldo, Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Possui Graduação em Comunicação Social - Hab. Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992), Mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995), Doutorado em Multimeios pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (2000) e Pós Doutorados em Sociologia pela University of Manchester (2001) e em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ (2010). Membro do conselho editorial das revistas Explorations in Media Ecology (USA), Ciências Sociais Unisinos, Ínterin (UTP) e Movimento (UFRGS), atualmente é professor adjunto no Departamento de Letras e Ciências Sociais da UFRRJ. Desde 2006, tem produzido videos etnográficos. Em 2008, recebeu o Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social do Ministério do Esporte pelo vídeo "Praça Pública". Tem experiência nas áreas de Antropologia e Comunicação, com ênfase em Antropologia do Cotidiano, Esporte e Publicidade, atuando principalmente nos seguintes temas: sociabilidade, futebol, publicidade, identidade nacional, Copa do Mundo e mídia.

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Publicado

2002-01-01

Edição

Seção

Artigos