“Nossos filhos não são cobaias”: objetificação dos sujeitos de pesquisa e saturação do campo durante a epidemia de Zika

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2020v22n2p96

Palavras-chave:

Pesquisa, Síndrome congênita do Zika, Objetificação

Resumo

Decidimos escrever esse artigo a quatro mãos por uma razão simples: apresentar dois lados da mesma história, a história dos desdobramentos da pesquisa durante a epidemia de Zika. Neste sentido, não somente expomos duas experiências como pesquisadoras em antropologia sobre a epidemia do vírus Zika, mas propomos mostrar como essas duas experiências e vivências revelam de alguma forma um sistema complexo atuando neste contexto específico e envolvendo descobertas científicas, financiamentos internacionais, concorrência de pesquisadores e de instituições, campo com mulheres, crianças vulneráveis e instituições de saúde, trajetórias de amostras biológicas, colaborações – as vezes assimétricas – entre científicos dos chamados ‘Sul e Norte’ do mundo. Esperamos dessa forma chegar a um retrato da Science in the making que proporcionará uma reflexividade a diferentes níveis sobre 1/ nossas práticas como pesquisadores em antropologia em tempos de crise e emergência, e 2/ os diversos significados da relação centro-periferia/pesquisador-pessoas no campo nas ciências que tratam da saúde.

Biografia do Autor

Luciana Campelo Lira, Universidade Federal de Pernambuco

Pós-doutoranda no Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco

Helena Prado, Universidade de Lisboa

Investigador em Ciências Sociais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

Referências

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Publicado

2020-11-23

Edição

Seção

Antropologia e as outras Ciências da Epidemia do Vïrus Zika