Moscas e Vermes na Ciência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2021.e68281

Resumo

Vários estudos sobre cultura material da ciência reconstituem processos de escolha e transformação de determinados organismos em modelo experimental nas ciências da vida. São narradas suas trajetórias no laboratório e a formação de sistemas experimentais em que eles se conectam com dispositivos, questões e instituições científicas. Tais histórias tratam do modo como organismos vivos foram moldados, padronizados e se converteram em instrumentos preferenciais para certos tipos de investigação. Isso aconteceu com a drosófila na pesquisa em genética, para Kohler; com o verme C. elegans na biologia molecular, para Chadaverian. O presente artigo traz uma releitura e uma nova versão desses estudos enfatizando a contribuição dos organismos, seus corpos e comportamentos para as pesquisas. Mas se trata menos de contar a história do ponto de vista dos animais, do que de mostrar como humanos e outros vivos se moldaram e afetaram reciprocamente na ciência.

Biografia do Autor

Iara Maria de Almeida Souza, Universidade Federal da Bahia

Porfessora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA, desenvolve pesquisa nas áreas de antropologia da ciência e relação humano animal.

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Publicado

2021-06-16

Como Citar

SOUZA, Iara Maria de Almeida. Moscas e Vermes na Ciência. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 23, n. 2, p. 27–46, 2021. DOI: 10.5007/2175-8034.2021.e68281. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/68281. Acesso em: 1 mar. 2024.

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Artigos