Entre tỹnh e mborahéi: cantos e movimentos kaingang e kaiowa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2022.e71249

Palavras-chave:

Cantos, Aprendizagem, Xamanismo, Política, Kaingang, Kaiowa

Resumo

Este trabalho explora uma comparação etnográfica entre formas expressivas dos povos indígenas Kaingang (PR) e Kaiowa (MS), baseada em duas pesquisas: uma focada no movimento Nẽn Ga, um coletivo intergeracional cujas ações são centradas nas práticas de cantos/danças/rituais [tỹnh] kaingang; e outra no papel das gravações nos processos de transmissão dos cantos-rezas-danças kaiowa – cujas artes por excelência, como outros povos guarani (PISSOLATO, 2008), são as artes vocais. Destacando as categorias nativas que emergem das festas e mobilizações de povos jê e tupi-guarani no Brasil Meridional, nos perguntamos: como formas distintas de praticar, conceber e classificar o que é cantado e dançado pode produzir sentidos inovadores para noções como música, política, cultura e xamanismo? Atentas aos contextos em que tais cantos-danças se manifestam, abordamos seus aspectos poéticos e sonoros e os movimentos que marcam suas formas de transmissão e de circulação.  

Biografia do Autor

Tatiane Maíra Klein, Universidade de São Paulo

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP).

Paola Andrade Gibram, Universidade de São Paulo

Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2021) e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEsta-USP)

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Publicado

2022-09-19

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Artigos