Mimetismos afro-brasileiros: dependências e algumas formas de ser

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2021.e75410

Resumo

O argumento central deste artigo é de que, no Rio Grande do Sul, as transformações no campo afrorreligioso estão acompanhadas por processos de modulação do axé. Estes podem ser observados a partir do universo material e possibilitam que certos objetos atuem de diferentes formas, a partir de múltiplos avatares. Isso só é possível devido as dinâmicas de diferenciação, atualização e individuação das forças que atuam no mundo, próprias do universo religioso afro-brasileiro, situadas em um “constante jogo dialético entre o mesmo e o outro” (Augras, 2008, p.21). Como consequência, tal como buscarei argumentar, surgem processos miméticos - mimetismos afro-brasileiros - que se mostram como desafios de pesquisa e que podem ser observados em controvérsias que eclodem no campo afrorreligioso. Para abordar tais questões, atento para a circulação e movimento dos tambores no campo afro-gaúcho. Por fim, considero que este artigo contribui para um debate mais amplo, acerca das materialidades religiosas afro-brasileiras. 

Biografia do Autor

Leonardo Oliveira de Almeida, Universidade Federal do Ceará

Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará. Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo realizado doutorado sanduíche na Utrecht University (Utrecht - Holanda), no departamento de Cultural Anthropology. Atualmente é pesquisador DCR – CNPq/FUNCP, vinculado ao PPG de Antropologia da Universidade Federal do Ceará. Pesquisador associado ao Núcleo de Estudos da Religião (NER/UFRGS) e ao o grupo de pesquisa do CNPq Religião, Arte, Materialidade, Espaço Público (Mares). Atualmente, desenvolvendo pesquisas nas áreas de religião, mídia, materialidades e etnomusicologia.

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Publicado

2021-10-04

Como Citar

DE ALMEIDA, Leonardo Oliveira. Mimetismos afro-brasileiros: dependências e algumas formas de ser. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 23, n. 3, 2021. DOI: 10.5007/2175-8034.2021.e75410. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/75410. Acesso em: 22 maio. 2024.

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Artigos