Passo a dois: percepção tátil-cinética na mobilidade com cão-guia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2021.e75647

Palavras-chave:

percepção, cegueira, técnica, relações interespecíficas, dança

Resumo

Este artigo é um desdobramento das reflexões apresentadas na mesa redonda “Movimentos, percepções e práticas”, durante a VII Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia. Apresento como venho articulando os três temas que deram o título à mesa tomando como base a pesquisa que desenvolvo desde o doutorado sobre as percepções de mundo de pessoas cegas. Em um segundo momento, faço uma aproximação mais etnográfica à temática a partir das investigações de campo que, desde 2016, venho realizando no Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães Guia do Instituto Federal Catarinense (IFC-Camboriú). Finalizo o artigo com considerações sobre os desafios que a investigação da experiência de mundo de pessoas cegas coloca ao método e à escrita etnográfica.

Biografia do Autor

Olivia von der Weid, Universidade Federal Fluminense, professora adjunta

Professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF, Niterói, Brasil). Doutora e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil) e tem graduação em ciências sociais pela UFRJ. 

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Publicado

2021-02-24

Edição

Seção

Diversidade Contaminada - Dossiê ReACT