Gestão do sofrimento e luta pela moradia por famílias trabalhadoras

Autores

  • PRISCILA TAVARES DOS SANTOS PPGA/UFF

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2021.e77934

Resumo

Proponho refletir sobre as condições de acesso aos direitos sociais dos moradores do Predinho, moradia popular instalada nas instalações do antigo Hotel Bandeirantes, na região central do Rio de Janeiro. A adoção da perspectiva procedimental e a avaliação da análise interpretativa permitiram compreender as diferentes formas de gestão e agenciamentos morais que buscam legitimar os processos decisórios que correspondem a esta forma de viver e habitar a cidade. Valorizo ​​a compreensão simbólica do direito à moradia para me distanciar de uma compreensão substantiva que reforce a relação de poder entre esses moradores e o Estado brasileiro. As condições de possibilidade de reprodução social dessas famílias evidenciam a situação de vulnerabilidade social e revelam que o Estado não garante direitos, mas condiciona o mecanismo perverso de resistência ao tempo pela apropriação de escassos recursos individuais complementados por redes de relações intrafamiliares e intervencionistas.

Biografia do Autor

PRISCILA TAVARES DOS SANTOS, PPGA/UFF

Expert consultant na Syracuse University, desde 2017, no projeto de pesquisa intitulado Helping the Poor Stay Put: Affordable Housing and Non-Peripheralization in Rio de Janeiro, Brazil.   Pós-doutoranda em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (bolsista PDJ/CNPq), entre 2019 e 2020. Mestre e Doutora em Antropologia pelo mesmo Programa e graduada em Ciências Biológicas pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Publicado

2021-10-04

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Artigos