A autoetnografia como processo formativo em Antropologia: deficiência, percepção e aprendizagem

Autores

  • Ceres Karam Brum ufsm

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2024.e93927

Palavras-chave:

Autoetnografia, Deficiência, Percepção , Aprendizagem

Resumo

O artigo se constitui em um relato de experiência com a autoetnografia, como método e narrativa, para a realização de uma investigação sobre deficiência visual. Ao enfocar o processo de reconhecimento do nistagmo e da visão monocular como minha forma de estar no mundo, objetivo realizar uma reflexão a respeito dos lugares do trabalho de campo na formação de antropólogas, o espaço do self na pesquisa etnográfica e a dimensão transformadora da autoetnografia na aceitação da deficiência como modo de estar no mundo e universo perceptivo. Pretendo enfocar o trabalho de campo em sua dinâmica como um universo fenomenológico de aprendizado situacional enriquecido pela percepção da autoetnografia no sentido de ser um passo imprescindível na concretização da Antropologia como uma filosofia do humano.

Biografia do Autor

Ceres Karam Brum, ufsm

professora do departamento de ciências socais da ufsm

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Publicado

2024-01-25

Como Citar

BRUM, Ceres Karam. A autoetnografia como processo formativo em Antropologia: deficiência, percepção e aprendizagem. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 26, n. 1, 2024. DOI: 10.5007/2175-8034.2024.e93927. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/93927. Acesso em: 20 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê Novos Debates na formação em antropologia