Fibromialgia e economia moral da dor
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8034.2025.e103484Palavras-chave:
Fibromialgia, Moralidade, Dor, Corpo, Antropologia da SaúdeResumo
Este trabalho busca refletir de maneira antropológica sobre os contornos da experiência social da fibromialgia. Baseia-se em pesquisa etnográfica em andamento e que vem sendo desenvolvida a partir de serviços de saúde ao se observar interações entre profissionais de saúde e usuários no cenário clínico e na (auto)atenção à saúde, além de entrevistas abertas e análise de documentos no Rio Grande do Norte. Observa-se que as pessoas que vivem com a fibromialgia experienciam uma dinâmica moral para que a dor seja reconhecida socialmente, devido ao fato de o parâmetro biomédico requerer a existência de sinais físicos observáveis, independentemente dos relatos das pessoas para sinalizar a doença; algo que nem sempre é possível de se verificar na fibromialgia. Assim, o artigo busca analisar e descrever as racionalidades e as práticas produzidas no escopo das relações sociais que possibilitam a alguém adoecido provar que a dor que sente e narra é real e precisa de intervenção fisiológica. Para tanto, o argumento segue para realçar a origem e a existência biológica da dor e para rejeitar, como ideia vista como diametralmente oposta, explicações causais de ordem psicológica. O artigo se concentra na dinâmica moral envolvida na geração de apoio e para a intensificação de um sofrimento de longa duração, parte crucial do reconhecimento societário e do reclame por intervenções coletivas para o cuidado e o tratamento.
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