O cotidiano como limite para o uso problemático de drogas: uma abordagem antropológica da dependência química
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8034.2025.e103850Palavras-chave:
Cotidiano, Drogas, Ayahuasca, Santo Daime, SaúdeResumo
Este trabalho propõe uma reflexão antropológica sobre a definição de dependência química. A partir de entrevistas realizadas em um pronto-socorro do Santo Daime, com indivíduos que buscavam tratamento para o que percebiam como uso problemático de álcool e outras substâncias psicoativas, observou-se que a dependência se articula estreitamente às dinâmicas do cotidiano. Essa perspectiva amplia a abordagem biomédica tradicional, incorporando dimensões relacionais e contextuais na interpretação do uso de drogas e das práticas de cuidado. A análise das narrativas de dois interlocutores evidenciou que experiências cotidianas desorganizadas são percebidas como indicativos de uma relação prejudicial com substâncias, motivando a busca por tratamento. Assim, a dependência química é compreendida como fenômeno relacional, cuja centralidade analítica reside na desorganização da vida cotidiana, considerada elemento-chave na delimitação do que constitui uso problemático.
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