Práticas de cuidado e medicações: uma etnografia de hospital psiquiátrico
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8034.2025.e105058Palavras-chave:
etnografia de hospital, Medicalização, CuidadoResumo
Neste trabalho, apresento um fragmento de uma etnografia de hospital psiquiátrico, objetivando observar as maneiras particulares pelas quais eles vivem na instituição. O foco está nas relações entre tratamentos, práticas de cuidado e medicamentos, agrupados em dois grupos: remédios de ordem psíquica (psicotrópicos ou “remédio de cabeça”); e remédios gerais (utilizados para outros enfrentamentos, como dores diversas). Observei no cotidiano institucional que o aumento no uso de medicamentos leva à ideia da diminuição da necessidade de práticas de cuidado entre os profissionais, enquanto a falta ou a diminuição desses medicamentos provoca um aumento nas práticas de cuidado entre os próprios pacientes. Além do mais, os tratamentos com psicotrópicos eram amplamente utilizados, com grande disponibilidade de comprimidos. No entanto, quando os moradores precisavam de cuidados-outros, percorriam um longo percurso até serem atendidos. Nessas situações, articulavam com a cotidianidade institucional, compondo com ela para (sobre)viver nas emergências que surgiam.
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