Vivências de luta pela terra no Planalto Catarinense: um relato de experiência com o MST
DOI:
https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e106594Palavras-chave:
Relato de experiência, MST, luta pela terra, violência no campo, resistência camponesaResumo
Este relato de experiência explora as dinâmicas de violência na luta pela terra no Planalto Catarinense, com foco na atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Descreve as vivências e percepções sobre as formas de repressão enfrentadas pelo movimento em níveis físico, simbólico, psíquico, territorial e institucional. A metodologia adotada, com abordagem etnográfica de imersão participante, envolveu a vivência em assentamentos, acampamentos e ações políticas do MST. Os resultados indicam que a expansão do monocultivo de pinus, impulsionada por empresas de celulose, agrava a degradação ambiental, a superexploração do trabalho e as desigualdades sociais na região. Conclui-se que as ações do MST representam formas de resistência territorial, política e simbólica, ancoradas na agroecologia, na solidariedade comunitária e no enfrentamento da violência estatal e privada. O movimento se apresenta, assim, como uma alternativa concreta ao modelo de desenvolvimento excludente, combinando resistência com a construção de novas formas de vida no campo.
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