Uma análise marxiana da política de cotas no ensino superior público brasileiro

Cassia Engres Mocelin

Resumo


Construído a partir de revisão teórica e bibliográfica, este artigo objetiva discutir a política de cotas sociais e étnico-raciais nas instituições federais de ensino superior brasileiras a partir do materialismo histórico e dialético. Toma a universidade como arena onde a luta de classes também é travada e questiona: Em que medida a política de cotas sociais e étnico-raciais constitui processos de resistências frente à distribuição justa e ao igual direito burguês? Compreende-se que a política de cotas emerge e justifica-se no pressuposto de que o igual direito não contempla a população negra. Essa pseudoigualdade burguesa não considera o acesso historicamente negado dessa população aos bens e à riqueza socialmente produzida. Por isso, há de se ter outra forma de acesso, que se vincule a outro tipo de universalidade e que, assim, contemple uma universalidade a partir da diversidade e da desigualdade, pois, sob a ótica da igualdade, a desigualdade permanece.


Palavras-chave


Distribuição justa; Ensino superior; Igual direito; Marx; Política de cotas;

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DOI: https://doi.org/10.1590/1982-02592020v23n1p101

R. Katál. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil eISSN: 1982-0259  

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