Redes sociais e ativismo materno: desafios entre estudantes de uma universidade pública

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02592020v23n3p470

Palavras-chave:

Maternidade, Universidade, Redes Sociais, Ciberativismo

Resumo

As conquistas femininas das últimas décadas suscitam novas estratégias tanto para a manutenção dos direitos já garantidos quanto para a solução das demandas que se apresentam, a fim de promover a superação dos sistemas de dominação e exploração que acometem as mulheres e que são reproduzidos nos mais diversos espaços, como é o caso das instituições públicas de ensino superior. Tomando as construções sociais em torno do que se conhece como feminino e a centralidade da maternidade nesse contexto, este artigo analisa as condições de permanência de estudantes que são mães em uma universidade pública federal, por meio da realização de questionários virtuais e registros em diários de campo resultantes da participação em grupo virtual do aplicativo WhatsApp. Os resultados apontam para o protagonismo das estudantes nos processos reivindicatórios perante a desresponsabilização do poder público e o papel das redes sociais em sua organização política, por meio do chamado ciberativismo.

Biografia do Autor

Maria Clara Ramos da Fonseca Silva, Universidade de Brasília

Assistente Social pela Universidade de Brasília e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília.

Cristiano Guedes de Souza, Universidade de Brasília

Pesquisador e professor do departamento de Serviço Social e do Programa de Pós Graduação em Política Social da Universidade de Brasília. 

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Publicado

2020-10-05