Mulheres jornalistas esportivas e mercado de trabalho: quem (não) as deixa trabalhar?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02592020v23n3p501

Palavras-chave:

Trabalho, Discurso, Gênero, Jornalismo, Esporte

Resumo

O artigo analisa o discurso das mulheres jornalistas esportivas brasileiras que, a partir do manifesto #DeixaElaTrabalhar se reúnem em coletivo para denunciar situações de assédio e violência sofridos no exercício profissional. Mesmo após mais de um século de coberturas realizadas por mulheres que comprovam competência, habilidade e condições profissionais, o jornalismo ainda é um campo de discriminação e sexismo, em nível mundial. A editoria de Esportes é ainda marcada pela presença masculina e o desafio das mulheres ainda é de luta por espaço e oportunidades. A equidade entre homens e mulheres pregada pelo discurso jurídico ainda está distante da prática verificada por essas profissionais que demandam o direito de trabalhar.

Biografia do Autor

Lídia Ramires, Universidade Federal de Alagoas Université de Toulouse

Docente do curso de Jornalimão da Ufal, mestra e doutora pelo PPGLL Ufal, em Letras. Atualmente, desenvolve pesquisa em Discurso, Gênero e Mídia.

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Publicado

2020-10-05