Vozes de resistência no Brasil colonial: o protagonismo de mulheres negras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e84661

Resumo

Vivemos em uma sociedade patriarcal-racista-capitalista que renova continuamente as relações desiguais que marcam a formação do Brasil, desde o período colonial. Dentre as expressões dessa desigualdade, há uma forte invisibilidade das mulheres negras. Por isso, neste artigo objetivamos apresentar mulheres protagonistas de lutas e resistências contra a escravização no Brasil. É imprescindível descortinar a importância dessas mulheres e romper com o ocultamento das suas ações. Aqui, apresentamos a mulher negra como sujeito histórico e político fundamental nas ações de resistência contra a escravização. Mulheres que permanecem, em sua maioria, silenciadas pela narrativa dominante branca. Para tanto, realizamos uma pesquisa qualitativa, de tipo bibliográfica e documental, fundamentada no feminismo marxista, sob o método do materialismo histórico dialético. Concluímos que mesmo diante da desigualdade social, as mulheres negras lideraram resistências e lutas contra a escravização, em defesa da liberdade.

Biografia do Autor

Mirla Cisne, UERN

Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Estadual do Ceará (2002), mestrado em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (2004), doutorado em Serviço Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com estágio doutoral na Universidade de Paris 7, sob orientação das Professoras Elaine Behring e Jules Falquet, respectivamente. Bolsista Produtividade em Pesquisa pq 2- CNPq Coordenadora e professora  permanente do Programa de Pós Graduação em Serviço Social e Direitos Sociais (PPGSSDS). Integrante do Núcleo de Estudos sobre a Mulher Simone de Beauvoir (NEM) e vice-líder do Grupo de Estudos e Pesquisa das Relações Sociais de Gênero e Feminismo (GEF).  Professora Adjunta IV da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Autora dos livros: Gênero, divisão sexual do trabalho e Serviço Social (Editora Outras Expressões, 2012); Feminismo e consciência de classe no Brasil (Cortez, 2014)  e coautora do livro Feminismo, Diversidade Sexual e Serviço Social (Cortez, 2018). Atua em projetos nos seguintes temas: feminismo, movimentos sociais, serviço social, relações sociais de sexo, raça e classe.

Fernanda Ianael, UERN

Graduada em Serviço Social pela UERN, pesquisadora do Grupo de estudos e pesquisas sobre relações sociais de gênero e feminismo (GEF). 

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Publicado

2022-05-06