Solidariedade assimétrica: capital social, hierarquia e êxito em um empreendimento de “economia solidária”

Marcelo Kunrath Silva, Gerson de Lima Oliveira

Resumo


O objetivo deste artigo1 é analisar como se estruturam as relações internas em uma cooperativa autogerida, a fim de identificar os fatores que possibilitam – ou bloqueiam – a instituição do modelo igualitário, proposto pela economia solidária. Partindo da hipótese de que a desigualdade em termos da distribuição de capital social tende a ser um importante fator explicativo da hierarquia nas posições ocupadas pelos participantes de empreendimentos econômicos populares, utiliza-se a análise de redes sociais como recurso metodológico para apreender as relações entre os membros da cooperativa pesquisada. As significativas assimetrias observadas nestas relações são explicadas, em grande medida, pela marcante concentração de capital social por uma das trabalhadoras, que, praticamente, monopoliza as relações da cooperativa com agentes externos em posições institucionais privilegiadas. O alto estoque de capital social concentrado por esta trabalhadora limita a possibilidade de instituição de relações igualitárias entre os membros da cooperativa pesquisada, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, constitui-se em um importante fator para o êxito econômico do empreendimento, ao possibilitar o acesso a recursos e a oportunidades fundamentais para tal êxito.


Palavras-chave


Economia solidária; Capital social; Cooperativismo; Redes sociais; Solidarity economics; Social capital; Cooperative movement; Social networks

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DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-49802009000100008

R. Katál. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil eISSN: 1982-0259  

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