Persistência da dominação masculina: bovarismo e doramas
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2025.e100219Palavras-chave:
bovarismo, dominação masculina, doramasResumo
O presente artigo observa o conceito de bovarismo (cunhado por Jules de Gaultier a partir de Madame Bovary, de Flaubert) como chave de análise para a condição feminina dentro e fora da ficção. O corpus a ser observado são os doramas (produções televisivas seriadas do leste asiático), exemplificados com a narrativa Hana Yori Dango – mangá japonês adaptado para diversas produções audiovisuais. O objetivo é investigar a permanência de discursos constituidores da dominação masculina, tanto em obras canônicas como em objetos da Indústria Cultural do entretenimento. O estudo realiza-se em perspectiva comparada, tomando-se o conceito de bovarismo como chave de leitura. Os principais referenciais para o estudo são A dominação masculina: a condição feminina e a violência simbólica (2014), de Pierre Bourdieu, e Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação (2018), de Valeska Zanello. Outras referências importantes são Saffioti (2015); Kehl (2008); Adorno (2020) e Adorno e Horkheimer (1985). Por resultados, demonstrou-se a manutenção dos temas relativos à dominação simbólica masculina na sociedade e dos papéis sociais direcionados a cada um dos sexos.
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