Retorno ao espontâneo: a naturalização do humano no conto "Demônios", de Aluísio Azevedo
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2025.e101098Palavras-chave:
Conto, Romantismo, Naturalismo, Antonio Candido, Aluísio AzevedoResumo
Esse estudo tem por objetivo analisar o conto “Demônios”, de Aluísio Azevedo, buscando demonstrar como essa narrativa questiona o romantismo e se apropria de uma estética marcadamente naturalista. Nesse processo, observa-se que a obra retoma, amplia e ressignifica pelo menos três elementos identificados por Antonio Candido em O cortiço (1890), de Azevedo: a animalização do ser humano, a passagem de uma organização espontânea para outra dirigida e a representação do cortiço como uma alegoria do Brasil. Em “Demônios”, esses aspectos estão presentes, mas com evidentes adaptações, uma vez que temos um processo de desumanização mais radical, um retorno à condição espontânea da vida e a elaboração de uma história que se apresenta como alegoria da condição humana. Ao constatar essas relações entre o conto e o romance de Aluísio Azevedo, vê-se também que a transição do romantismo gótico para o naturalismo fantástico é um traço estilístico marcante da narrativa, revelando por meio do retorno ao espontâneo uma aceitação da força da natureza e um ceticismo em relação ao poder transformador da humanidade. Assim sendo, para o desenvolvimento desse estudo, além de Candido (1993), também foi necessário se subsidiar nas considerações de Bosi (1994), Sá (2019), Todorov (1980), entre outros.
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